LEUCINA

Quando o assunto é ganho de massa muscular, não existe dúvida em afirmar que maior oferta de proteínas em um planejamento nutricional é necessária. Claro, que ao mencionar maior oferta, os cálculos devem estar de acordo com as recomendações baseadas em evidências científicas. Além da quantidade, é importante observar a composição, ou seja, o perfil de aminoácidos que compõe essa proteína. A ciência já demonstrou que uma proteina rica em aminoácidos de cadeia ramificada, os BCAA’s (leucina, isoleucina e valina), se torna mais eficiente na sinalização da síntese proteica. Essa capacidade dos aminoácidos de cadeia ramificada em estimular a síntese proteica, se deve em especial a Leucina. A leucina ganhou atenção no meio acadêmico por ser um aminoácido capaz de estimular uma molécula conhecida como MTOR (mammalian target of rampamycin) responsável pela regulação na sinalização da síntese proteica e consequentemente, aumento da massa muscular.

Cabe salientar que, segundo as pesquisas, a maior responsividade na síntese proteica ocorre quando se ingere em torno de 1,7gr a 3,5gr de leucina nas refeições seguintes ao treinamento. Um dado interessante é que 30gr de proteína do soro do leite ou 170gr de carne vermelha possui em torno de 3gr de leucina. Logo, quando se tem o consumo desses alimentos na quantidade ideal, não há necessidade de suplementar. Porém, em uma situação onde se consome uma quantidade pequena de proteína, a adição de leucina pode restabelecer a sinalização ótima de síntese proteica.

Um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition (2014)  comparou a sinalização de síntese proteica por 5 horas após um treinamento de força. Diversas concentrações de proteína contendo leucina foram ofertadas após o treino com o objetivo de avaliar qual delas era a mais eficiente. A conclusão foi que Whey Protein contendo 3gr de leucina por ocorrência natural foi considerada padrão ouro. Ainda, uma das composições ofertadas continha 6,25gr de Whey protein adicionada de 5gr de leucina. O que chamou atenção foi que essa composição restabeleceu a sinalização de síntese proteica, tornando-a idêntica a sinalização proporcionada pela dose de Whey Protein. Esse raciocínio abre margem para interpretarmos que em refeições onde a quantidade de proteina consumida não possuir a concentração minima de leucina necessária para uma amplificação da síntese proteica, a suplementação aparece como uma ferramenta de conduta.

Apesar da leucina possuir essa capacidade de amplificar a sinalização no ganho de massa muscular, os estudos falham quando se consome a leucina de forma isolada. Assim, a correta harmonia dessa sinalização se faz quando a leucina é ofertada na presença de outros aminoácidos contidos em uma proteína. Outra informação relevante é que o excesso de leucina tbm não se traduz em anabolismo maior.

Assim, a suplementação de leucina deve ser acompanhada por um nutricionista, que ao elaborar o plano alimentar e distribuir as fontes proteicas ao longo das refeições identificará a real necessidade e quantidade de leucina a ser suplementada.

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